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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

AS SEGURADORAS E OS CARROS ALAGADOS





Seguradoras atendem 5 mil casos de carros alagados em janeiro em SP

Data: 09.02.2010 - Fonte: G1, com informações do SPTV


Aumento é de 80% em relação a janeiro de 2009.
Cerca de 2.500 não puderam ser recuperados.

Os quase 50 dias de temporais provocaram um aumento do número de carros considerados perdidos pelas seguradoras. Cerca de 2.500 não puderam ser recuperados. E quando o estrago tem conserto, a conta é de abalar qualquer orçamento.

O conserto de carros atingidos pelas enchentes em uma oficina mecânica aumentou 20% em apenas um mês. E arrumar um carro que ficou debaixo d'água não sai nada barato.



“Hoje, na faixa de R$ 4 mil. Tem retífica, troca de peças, anel, pistão, bomba de óleo, de junta, tudo mais. Tem que se mexer em banco, carpetes, em portas”, disse o mecânico Walter Santos.

Isso sem contar o desespero do motorista, que viveu a situação em várias regiões da cidade. Carros que quase sumiam na água ou cobertos por árvores caídas.

O seguro total cobre danos provocados pelas chuvas e pelos ventos fortes. Em janeiro, as seguradoras atenderam cinco mil casos desse tipo na capital, um aumento de 80%, comparando com janeiro do ano passado. Mas o motorista precisa ficar atento para não perder os direitos de cobertura.

“Em todos os casos aonde a água pegar o veículo está coberto, a seguradora paga. Agora, se ele enfrentar a água, ele for de encontro popositalmente aonde os outros não estão indo, se a seguradora souber, ela não vai pagar esse acidente. E também não deve retirar o veículo do local, porque senão vai parecer que é uma fraude”, afirmou Leôncio Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros.



Se o preço do conserto ultrapassar 75% do valor do carro, a seguradora considera perda total e aí nem precisa ir para a oficina: o dono recebe outro veículo. Foi o que aconteceu em quase a metade dos casos atendidos de quem tinha seguro e ficou no meio do temporal.

Segundo o Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo, tantas ocorrências devem inflacionar o mercado, o que deverá se refletir no aumento do preço do seguro. Se o carro for atingido por uma árvore ou um raio, o seguro também pode ser acionado.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ABRIR MÃO PARA PAGAR MENOS



Quer economizar na hora de assinar a apólice? Saiba o que você pode fazer para baixar o preço do seguro
POR CLÁUDIO GRADILONE | FOTO GUSTAVO FERRI

Procurar o melhor negócio e perguntar sempre se é possível pagar menos. Ao seguir essas recomendações simples, a especialista em importação Flavia Felgueiras economizou quase 2000 reais ao fazer o seguro do seu New Beetle 2008. O recurso foi simples: Flavia optou por elevar o valor da franquia e obteve um belo desconto no prêmio. Mágica? Não, estatística. O preço de um seguro, chamado prêmio, é calculado pela probabilidade de ocorrer um acidente, tecnicamente chamado de sinistro. Dados como perfil do segurado, localização e utilização do veículo são preponderantes na hora de definir o preço do seguro. Alguns detalhes não podem ser mudados. Idade, por exemplo. Os seguros sempre serão mais salgados para motoristas com idade entre 18 e 25 anos. Além de serem mais jovens e estatisticamente mais dispostos a dirigir perigosamente, esses motoristas em geral estudam e, para piorar a situação, as redondezas de universidades são consideradas pontos críticos pelas seguradoras, por serem áreas de alta incidência de furtos de veículos.

Entretanto o segurado não precisa se conformar com o que as companhias oferecem, e pode conseguir pagar menos se souber negociar antes de assinar o contrato. Algumas empresas oferecem bons descontos a quem instalar equipamentos que protejam o carro de roubos, como rastreadores e dispositivos que impedem que o carro seja ligado.

Outro recurso, se o carro for dividido por um casal, é fazer o seguro no nome dela. “As estatísticas provam que as mulheres são mais cautelosas ao dirigir, por isso as seguradoras cobram menos”, diz o consultor Anderson Tonhato, da Stremo Consultoria.

Foi o que fez Flavia, ao perceber que o seguro no nome do marido custaria bem mais caro. “Não fazsentido, pois os dois dirigem o carro quase na mesma proporção”, diz ela. Mesmo não fazendo sentido, é assim que o mercado funciona, e Flavia aproveitou as regras do jogo para economizar.

Outro recurso é pedir para a seguradora elevar o valor da franquia, que é paga pelo segurado somente em caso de sinistro. Ela funciona como uma garantia de que o segurado não vai mandar o automóvel para a funilaria à custa da seguradora toda vez que alguém encostar no para-choque no estacionamento do supermercado. Ao aumentar o valor da franquia, o segurado praticamente se obriga a reparar por conta própria acidentes que provocarem danos leves ou médios.

No caso de Flavia, essa decisão cortou drasticamente os gastos. A franquia sugerida pela seguradora na apólice de seu New Beetle era de cerca de 2000 reais, e o seguro custaria 3700 reais. O carro era zeroquilômetro e era sua primeira apólice, então não adiantava pensar em bônus de renovação.

Menos pode ser menos Flavia e o marido já haviam se conformado com a despesa quando se lembraram de outra corretora de seguros que os atendia no passado. “Telefonamos e, quando explicamos o problema, ela sugeriu aumentar a franquia”, diz Flavia. Elevando o valor para 5000 reais, o seguro caiu para cerca de 1700 reais, o que representou uma economia de 55%.

Baixar a apólice em 2 000 reais com apenas um telefonema tem um custo, que muitas vezes não é percebido pelo segurado. Ao fazer isso, o segurado está abrindo mão de uma parte da proteção a que teria direito se pagasse mais. Assim, em vez de poder contar com a seguradora em pequenos e médios acidentes, o segurado terá de se conformar em pagar tais consertos do próprio bolso.

Quando vale a pena pedir para aumentar a franquia? A recomendação dos especialistas é analisar o próprio perfil de riscos. Os casos mais indicados são aqueles em que a probabilidade de acidentes é menor. Quem usa pouco o carro, dirige com cuidado e sempre estaciona em garagens fechadas pode correr um pouco mais de risco e economizar na hora do seguro. Já os motoristas que usam o carro por mais tempo, estão sempre na rua, trafegando por regiões onde a probabilidade de um acidente é maior, deveriam optar por pagar mais caro e ter mais proteção.

“O preço é importante, mas não deve ser o único fator de decisão”, diz Tonhato. “O segurado pode fazer um seguro para não precisar usá-lo, mas tem de pensar nos problemas que terá se o sinistro ocorrer e se a cobertura for insuficiente.”