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terça-feira, 26 de maio de 2009

Donos vendem carros para ladrões em São Paulo

Data: 05.05.2009 - Fonte: Gazeta do Povo | Vida e Cidadania | PR 

Bandidos especializados estão pagando entre R$ 1.500 e R$ 5 mil para donos de carro que queiram sumir com o veículo para receber a indenização da seguradora na capital paulista. O destino do automóvel são desmanches ou oficinas clandestinas de montagem de dublês. A prática em São Paulo é do crime organizado, que financia com o dinheiro arrecadado a compra de armas e drogas, principais fontes de sustentação da facção criminosa que atua nos presídios paulistas.
O presidente da Associação Brasileira dos Corretores de Seguro (Abracor), Marco Antônio Damiani, diz que a facilidade de vender carros novos por causa da queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do deságio de 20% a 30% no valor do usado são tentações para o cometimento da fraude. Se o dono do usado precisa de dinheiro rápido, pode pensar na possibilidade de fraudar a seguradora. Principalmente agora, em época de crise e desemprego, explica.

Investigador de fraudes contra seguros, o empresário italiano Lorenzo Parodi explica que o pequeno delito do cidadão comum ajuda a financiar o crime organizado. Muitos bandidos têm lojas de peças de carros. O dinheiro arrecadado movimenta o tráfico de drogas, que é a grande fonte de renda do crime organizado, afirma o italiano.

A análise de perfil do segurado e do veículo envolvido em sinistro são fundamentais para a detecção da fraude. O investigador Lorenzo Parodi diz que quando o segurado some com o carro para receber o dinheiro do seguro precisa ser preciso nas informações e no planejamento da fraude.

Segundo o italiano, que analisa riscos pela Deall, empresa especializada, cercar a fraude quando o crime organizado está envolvido é bem mais difícil. Os ladrões, completa, dizem ao fraudador até quando fazer a queixa na delegacia. Normalmente eles pagam um valor ao proprietário e levam o carro para o desmanche ou na fabricação de dublê. Depois, os membros do bando voltam a fazer contato com o dono. Devolvem a ele as chaves e os documentos e dão aval para que seja feito o boletim de ocorrência de furto ou roubo do carro, explica Parodi.

A análise de perfil diz muito, segundo ele. Se você tem o caso de um empresário bem sucedido que relata o furto de um carro importado, dificilmente será uma fraude. Mas, se esse empresário faliu, ou está cheio de dívidas, a investigação minuciosa se torna necessária, explica.

Especialista em tecnologia da informática, Fabrício (nome fictício), de 28 anos, simulou o furto de seu carro para receber o seguro. Ele diz que foi fácil, mas que se arrepende. Meu carro um Gol tinha dois anos e apresentava alguns problemas. Eu precisava de dinheiro rápido para montar minha empresa. Sei que o dinheiro vem do crime e não faria de novo. Não gostaria de enfrentar a cadeia por causa de uma besteira, conta ele.

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